terça-feira, 29 de setembro de 2009

Opinião em dose dupla – Ander 30/09/2009


A carta
Há uma carta criminosa circulando na cidade. Nos bares, nas esquinas, não se fala em outra coisa. Quem escreveu a carta, expondo a vida pessoal de muitos frederiquenses, deve ter sofrido um golpe muito forte.

Recebi informações que alguns dos protagonizados contrataram detetives particulares. Se o tão nobre escritor for pego, o bicho vai pegar. A Polícia Federal esteve por aqui, porém, não se sabe o motivo. Se for sobre a carta, o bicho já está pegando.

As denúncias são fortes, o tema é: traição e tráfico. Se o que está na carta for verdade, Frederico Westphalen não é uma cidade. É um bordel.

Transporte Cesnors
Recebi um e-mail do proprietário da empresa Baltur, responsável pelo transporte dos estudantes da UFSM/Cesnors. Aliás, com um texto muito educado e esclarecedor. Porém, o empresário não entendeu a matéria. Em nenhum momento citei acidente envolvendo o ônibus da Baltur.

O parágrafo fazia menção a algumas reclamações dos estudantes, reclamações estas, que não são apenas do transporte, mas também das condições do pontilhão, que é estreito demais. Então, ilustrei com o acidente de um veículo, o qual, depois de receber o e-mail, fiquei sabendo que foi auxiliado por um dos motoristas da Baltur.

Contudo, o e-mail, a discussão e uma entrevista no AU, não resolvem os problemas na linha. Ainda, na entrevista, de cinco perguntas, duas falavam de matérias publicadas em outros jornais, esquecendo o verdadeiro foco em questão, o transporte. Mas, de qualquer forma, como ficou bem claro em todas as respostas, o prefeito é quem deve dar um fim nesta novela.

Tchau Arnaldo
Acabou. O programa Vinil Rock Café saiu do ar no último sábado na 95.9. A edição 121 que participei, foi marcada pela presença de Coxa, Grafitti, Wirti e Kbelo. Como de praxe, todos fazendo um som e batendo papo. Uma verdadeira confusão radiofônica. Parabéns Arnaldo, os amantes do rock n’ roll sentirão saudades. Fica a dica, Irradiação na sexta na 95.9 e o Na Mira do Rock na Comunitária, domingo.

As ruas
Bacana as pinturas das ruas. Isso facilitará as coisas aos motoristas de Frederico e região. Mas de nada adianta faixas bem pintadas, se ainda temos por aqui canteiros apelidados de rótulas, cruzamentos com cinco vias, má sinalização e os cucurutos (tachões). Os buracos, aos poucos estão sendo tapados ou tapeados. Vamos ver o resultado em breve.

Editais

Olha. Gostaria de saber o que determina a lei? Há uma lei determinando a publicação de editais em um só jornal aqui em Frederico? Vamos tomar cuidado. Propaganda é coisa séria, tão séria quanto o jornalismo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Opinião em dose dupla – Ander - 23/09/2009


Multas
Digo e repito. O trânsito de Frederico Westphalen é um caos. E a Brigada Militar não tem critérios na hora de multar ou ao menos parece não ter.

Senti isso na pele. Ao parar o veículo em uma das vias centrais por falta de vaga para estacionar, fui abordado e multado. Parei o carro, acionei os alertas e dois motoristas que não reconhecem os sinais começaram a buzinar. Ora, se não sabem ultrapassar um carro parado, imagina fazer a manobra com um veículo em movimento a sua frente?

De qualquer forma, não há critérios para multar. No mesmo momento em que tomei a multa por estacionar em pista de rolamento, outros automóveis estavam em locais proibidos, como: reservados de farmácias e inclusive em volta de rótulas na rua do Comércio. Se houvesse critério, todos deveriam ser multados.

Uma outra multa foi por não portar os documentos do veículo. Porém, se providências fossem tomadas com relação ao caos do trânsito na região central da cidade, que venho escrevendo desde 2006, só tomaria uma multa. A justa.

Farrapos
Parabéns a todos os frederiquenses. Ao passar pela praça e ver tanta gente encarnando na pele o tradicionalismo, me sinto orgulhoso de ser gaúcho. Em especial, parabenizo todos os universitários da UFSM/Cesnors, que ajudaram a resgatar as noites gaudérias em Frederico.

Jonas: sorte ou azar?
Minhas armas. Depois de perder um pênalti, o cara até chorou quando marcou o quinto gol no morto Fluminense, domingo. Nem sei mais o que pensar. O Jonas é bom ou é quase bom?

Bingos e caça-níqueis
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados aprovou, por 40 votos a 7, o projeto de lei que legaliza a atividade de bingos e uso de caça-níqueis no Brasil. Argumenta-se que haverá um aumento significativo na arrecadação do país, além de fomentar o setor de turismo.

O projeto ainda deverá passar pelo plenário da Câmara, diante de divergência em relação ao relatório. Penso que, se legalizado, a lavagem de dinheiro vai correr solta.

Perdemos
Atenção prefeituras de toda a região. Tem um jornal aqui de Frederico Westphalen, cobrando pouco mais de R$ 2 o centímetro quadrado de editais para publicação. O valor foi passado à prefeitura de Taquaruçu do Sul, na última semana. Quem publica neste mesmo jornal e paga mais, é bom pedir um descontinho. Estão podendo, ou é para tentar quebrar a concorrência. Contudo, quem gosta de ler um jornal de verdade, lê o Frederiquense. Isso já é fato na região.

Água que nasce poluída, morre poluindo


Famílias frederiquenses convivem diariamente com esgoto a céu aberto. Os pontos mais afetados são os bairros Ipiranga e Jardim Primavera

Fedor, poluição e risco de doenças. Em meio a isso, convivem as dezenas de famílias que moram nas proximidades da Pedreira, Viaduto e outros locais em Frederico Westphalen. O esgoto proveniente de praticamente toda a cidade acaba por cair entre as casas. Ao lado, crianças brincam, sendo alvo fácil dos malefícios que acompanham o canal. A mesma água que vira esgoto e depois desemboca no rio Chiquinha é proveniente da nascente poluída por excesso de nitrogênio do lajeado Pardo, distrito de Osvaldo Cruz, publicada na especial ‘Lastimável. A nascente pede socorro’ na semana passada.
A reportagem do Jornal Frederiquense, acompanhou o trajeto da água que abastece o município, desde a nascente até o seu destino final, no rio Chiquinha. Foram observados os procedimentos que o Centro de Educação Superior Norte – RS (Cesnors) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), realiza na nascente e suas margens e, as avaliações preliminares no laboratório, sendo que foram contatados níveis de nitrogênio a cima dos permitidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).
Ainda, foi acompanhado o processo de purificação pela Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), desde a chegada da água, provinda do Pardo, até as sua distribuição à população. Duas residências foram analisadas pelo LAPAQ/Cesnors em fevereiro, constatando que há excesso de nitrogênio total (nitrato, nitrito e amônia), que vem da nascente e não é eliminado. Por consequência as substâncias acabam por ser consumidas pela população ao beber a água. Apesar de não estar confirmado oficialmente, pesquisas apontam que o nitrogênio misturado à água, pode ser nocivo a vida humana e causar câncer gástrico.
Em casa
Em média, chega a Corsan de Frederico Westphalen 110 litros de água por segundo, isso representa 7 mil litros cúbicos de água tratada diariamente, que fica contida nos tanques - podendo armazenar até 1 milhão e 800 mil metros cúbicos em quatro cisternas, que abastecem as residências de toda a cidade através de um sistema gravitacional.
Apesar do processo de tratamento não eliminar os problemas provenientes da má conservação da nascente do Pardo, devido ao deposito ilegal de lixo, desmatamento e outros, todas as outras impurezas são eliminadas pela Corsan, através do processo de tratamento que inicia com a aplicação de sulfato de alumínio para a separação dos dejetos, emprego de cloro e por fim, flúor.
Desperdício. Poucos meses atrás, a região enfrentou uma forte estiagem. Houve racionamento na zona urbana e animais morreram no interior devido à falta de chuva. As residências mais antigas acabam por agravar o problema, já que em algumas, há má conservação da tubulação, acarretando em vazamentos.
Esgoto doméstico
A água usada nas atividades domésticas se transforma no resíduo líquido conhecido como esgoto, que pode causar sérios problemas tanto ao meio ambiente como à saúde das pessoas. O esgoto doméstico pode ser tratado com relativa facilidade antes de ser lançado no ambiente. Infelizmente, tratamento de esgoto é uma baixa prioridade para o Poder Público e para a população em geral. Em Frederico Westphalen, há apenas três sistemas de tratamento técnico subterrâneo de esgoto.
Quando se fala no problema deve-se pensar em dois tipos de impacto: o sanitário e o ambiental. O impacto sanitário envolve os problemas de saúde pública causados pelo esgoto, que propaga doenças quando não é coletado e tratado corretamente. As estatísticas mostram que a qualidade de vida da população está ligada diretamente a boas condições sanitárias. Por muito tempo, as ações públicas e individuais em relação ao esgoto deram prioridade somente ao aspecto sanitário, construindo galerias, mas sem tratamento. A questão ambiental só começou a ser considerada recentemente. Porém, não faz sentido resolver apenas os problemas do esgoto que ameaçam a saúde da população. A saúde do ambiente também deve ser preservada, afinal, se o ambiente se degradar, a qualidade de vida da população cai também.
Vergonha. O fim da linha para o esgoto, tratado ou não, é o ambiente, córrego ou rio ou, então, até mesmo no solo. Quando é lançado no solo, o esgoto vai atingir os lençóis subterrâneos prejudicando as nascentes.
Bairro Ipiranga
No bairro Ipiranga, nas proximidades do ginásio Ivanildo Gasoni há vazamento de esgoto doméstico na rua. Uma valeta foi aberta no local, agravando ainda mais o problema.
Poucos metros, do outro lado da rua, um morador afirmou que nos dias de chuva um bueiro (boca-de-lobo) trasborda, misturando-se a água e espelhando os dejetos por toda a rua.
Pedreira
No bairro Jardim Primavera, principalmente na Pedreira, praticamente todo o esgoto provindo do município é despejado em meio a casas. Crianças brincam nas proximidades, sem saber dos malefícios que o local pode trazer.
O cheiro no local é muito forte e a chuva agrava a situação dos moradores. “Não da para aguentar o cheiro, moramos praticamente três metros do esgoto, atrás fica o quarto, o cheiro é bem pior. Quando chove parece que vai encher. Tudo vem pra cá. A minha filha já pegou doenças por andar por ali”, diz Luciana Somavila Lopes, mãe de três crianças.
Viaduto
Os habitantes das proximidades do viaduto sofrem dos mesmos problemas. Uma moradora que preferiu não se identificar, comentou que além do cheiro forte, principalmente nos dias de chuva, há muitos mosquitos no local. Ainda tem de ficar de olho na filha mais nova, para que ela não vá até o córrego.
Outra reclamação da moradora diz respeito ao barulho constante da água do esgoto, que corre atrás da casa. O barulho favorece os ladrões. Ela diz que o marido teve que instalar uma luz no porão para evitar que se escondam.
A natureza
Onde vai parar a água que nasce no lajeado Pardo? As três estações de tratamento técnico de esgoto doméstico de Frederico Westphalen se localizam no bairro Fátima, Núcleo Cinco e São Francisco de Paula. Há cerca de seis meses, a Corsan é responsável pelo tratamento de esgoto através de um sistema subterrâneo. “O tratamento é importante para a preservação da qualidade de recursos hídricos naturais, ainda é indispensável para a saúde humana”, coloca Alcides Felipe Canola, licenciador ambiental de Frederico Westphalen.
A reportagem do JF foi até o encontro de dois afluentes provindos de nascentes dos bairros Ipiranga e Santo Inácio que formam o rio Chiquinha, seguindo o viaduto em direção a linha Ponte Preta. Ficou provado que o destino de grande parte da água que nasce no lajeado Pardo, acaba retornando a natureza em forma de esgoto, ajudando a agravar ainda mais os problemas ambientais. Parte desta água poluída retorna aos lençóis subterrâneos, que devido à falta de um filtro natural adequado, por consequência da degradação da matas ciliares, acaba por ficar poluído. O planeta pede socorro.

No viaduto, o esgoto sai das galerias e caí atrás das casas. Além do forte cheiro e das moscas que são atraídas por ele, a moradora que segura a filha nos braços diz que o barulho constante da água favorece os delinqüentes que por lá passam após cometerem delitos. A solução seria alongar a tubulação para que o despejo do esgoto aconteça onde não há residências. Cerca de 100 metros abaixo

Nas proximidades do ginásio Ivanildo Gasoni, o bueiro não suporta a quantidade de esgoto da região. Nos dias de chuva, acaba por transbordar pela rua, causando transtorno aos moradores

Na Pedreira a situação é preocupante, tanto quanto a do viaduto. O esgoto cai entre as casas e uma criança já adoeceu devido ao problema

A cerca de 1000 metros abaixo da ponte do viaduto, acontece o encontro de afluentes da cidade de Frederico Westphalen. A junção forma o rio Chiquinha que segue o seu destino poluído pelo despejo de esgoto doméstico. Este é o destino da água que já nasce poluída no lajeado Pardo

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Opinião em Dose Dupla - Ander - 19/09/09

Gostei de ver
O discurso relâmpago do prefeito Panosso na Câmara, sexta-feira, com relação ao contrato de cooperação entre Corsan e Prefeitura me surpreendeu. Mostrou a fibra que um gestor tem que ter.

Disse que sabe o preço, que custa caro, mas se tiver que assumir o saneamento básico da cidade para sanar problemas de esgoto, por exemplo, assume.

Frederico tem inúmeros problemas de escoamento. Bom saber e ouvir que o prefeito está disposto a dar fim aos existentes, principalmente na periferia. Outro local que deve ser analisado é o bairro Ipiranga. Quando chove, dá para navegar nas ruas.

Troféu Catedral
Parabéns aos organizadores do prêmio Empresa e Empresário do Ano. ACI e administração municipal fizeram um grande evento. Destaca-se ainda a participação das empresas da nossa terra, que movimentam o nosso município e o engrandecem na região.

Daí tô loco
Estão comentando por aí que os jovens devem ir para o Parque Monsenhor Vitor Batistella. Penso que é bacana o parque ser transformado para que a população usufrua de mais um local para o lazer. Mas de dia.

Uma tentativa de levar jovens para lá, apenas para tirá-los da praça da URI é inaceitável e pode ter graves consequências. A festa acaba no primeiro veículo que atravessar a BR e for carregado por um caminhão até Iraí. Sem falar das drogas, assaltos e da pista. Teria racha toda a noite. Um perigo.

Volto a falar. Os jovens não vão sair da praça. Na enquete que citei na semana passada, a opção ‘Guarita e policiamento permanente no local’ está na frente com 41%. Também penso que a ordem por lá é a solução. Mas policiamento para vigilância, não para chutar canelas de estudantes.

Irradiação
Muito bacana. Formato original, por trás humor e seriedade equilibrando a opinião pública. O programa Irradiação que vai ao ar pela 95.9 nas sextas, entre 21h e 22h, já está sendo comentado pela cidade. Parabéns Graffitti e Japa.

Barro
Pelas barbas do profeta. Por pouco não atolei o carro na UFSM/Cesnors na semana passada. A entrada até o campus é um caos. Quando faz sol é poeira para todo o lado. Quando chove, barro de cabo a rabo. Providências devem ser tomadas o mais breve possível.

Água

Eu não queria acreditar, mas era verdade. A água que estamos bebendo tem excesso de nitrogênio. Apesar de não ser uma afirmação concreta, as pesquisas apontam que a substância na água pode ser nociva à vida humana, causando metahemoglobina e câncer gástrico.

Alerta. Nascente que abastece o município de FW está poluída


A nascente do lajeado Pardo, uma das mais importantes, responsável por boa parte da água consumida pelos frederiquenses corre sérios riscos. Foram constatados níveis de nitrogênio acima do permitido

Anderson Silva
O Centro de Educação Superior Norte – RS (Cesnors) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), instalada em Frederico Westphalen, por meio do departamento de pesquisas de Engenharia Florestal e Agronomia constatou que uma das principais nascentes, a do lajeado Pardo, que abastece Frederico Westphalen, corre sérios riscos.
O desmatamento desordenado por conta da plantação agrícola, criação de gado de corte e leiteiro na bacia prejudica o manancial, que devido à falta de mata ao seu redor não conta mais com seu filtro natural, as árvores. Ainda a carência desta vegetação faz com que a água das chuvas adentrem ao córrego, carregando junto impurezas como adubos químicos e orgânicos, elevando os níveis de nitrogênio permitidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).Pesquisas realizadas apontam, ainda que não publicada, que a substância misturada à água pode ser nociva à vida humana, causando metahemoglobina e câncer gástrico. Não há um tratamento específico para amenizar estes níveis. O lajeado pede socorro.

Lastimável. A nascente pede socorro


Deposição clandestina de lixo, escoamento de fertilizantes químicos e orgânicos, desmatamento para cultivo agrícola e criação de animais são alguns dos fatores que estão encurtando a vida do lajeado

Lamentável! Assim é a situação da nascente do lajeado Pardo, localizado no distrito de Osvaldo Cruz, responsável por grande parte do abastecimento de água no município de Frederico Westphalen. A falta de vegetação nos arredores da nascente, devido ao desmatamento desordenado da mata ciliar, faz com que boa parte da água proveniente das chuvas escoe para dentro do lajeado, levando consigo impurezas provenientes dos cultivos agrícolas dos arredores.
No local é constatada em média, uma precipitação de 2.100 mm por ano. Em análises realizadas pelo Centro de Educação Superior Norte – RS (Cesnors) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), por meio do departamento de pesquisas de Engenharia Florestal e Agronomia, no mês de abril foi observada uma absorção de precipitação em torno de 22 mm por hora, sendo que o solo deveria absorver em média 120 mm. Consequentemente, houve escorrimento superficial das águas da bacia.
Em junho, foi realizada a primeira observação in loco no leito do lajeado do Pardo. “Observou-se a presença de contaminantes, além de pontos de deposição clandestina de lixo”, informou Angela Maria Mendonça, acadêmica de Engenharia Florestal da UFSM que realiza o projeto pela FIPE, orientada pelo Dr. Genesio Mario da Rosa, coordenador, Dr. Arci Dirceu Wastowski, Dr. Renato Beppler Spohr e Dra. Eliane Pereira dos Santos. Juntamente com cinco colegas e os professores, a estudante ainda participa do projeto de lisímitros – caixas de 1metro quadrado, colocadas ao solo para a simulação de plantações nos entornos das nascentes. Os estudos permitirão, no futuro, quais as quantidades de insumos que os agricultores poderão pôr nas lavouras sem prejuízos a nascente.

A nascente
O entorno da nascente está totalmente desmatado, pois nesta área o uso intenso do solo para atividades agrícolas, com culturas de inverno (trigo e aveia) e de verão (milho, soja e fumo) fez com que a mata praticamente desaparecesse.
Devido a localizar-se em um talvegue e próximo ao divisor de águas, fisicamente delimitado pela BR 386, as águas do escorrimento superficial oriundas das precipitações sobre a área convergem para dentro do leito da nascente e do leito do lajeado, originando, o carreamento de solo por escorrimento superficial, causando erosão e consequentemente carregando os elementos químicos nele contido, como os resíduos de produtos químicos utilizados nas lavouras.
O descaso e a falta de conscientização provocam a deposição de restos de construção e entulho ao longo do leito do lajeado. Ainda, existem residências localizadas as margens do lajeado, não respeitando os limites legais para a construção de habitações em área de preservação permanente.
Pode-se perceber que nos locais onde ainda existe mata ciliar, essa está totalmente degrada, restando apenas árvores de pequeno porte e arbustos, sendo visível o assoreamento do leito do lajeado. “Esse aspecto influi diretamente na redução da infiltração da água no solo e consequentemente aumento no escorrimento superficial, propiciando o aporte de grande quantidade de água de precipitação pluvial em direção ao lajeado, em curto espaço de tempo, resultando no avanço da água para além das margens, agravando a degradação do leito natural do lajeado e seu consequente assoreamento”, comenta Angela.

Na Corsan
A água proveniente do lajeado Pardo percorre cerca de cinco quilômetros por tubulações até a central de tratamento, localizada na avenida São Paulo no bairro Itapagé. Aproximadamente, chegam até a Corsan 110 litros de água por segundo que recebem a primeira dosagem de cloro e sulfato de alumínio, este que é responsável por fazer a separação da sujeira.
Logo após, segue para o flocurador, onde permanecem por uma hora. É nesse momento que os flocos de impurezas começam a se dissolver da água devido a aplicação do sulfato de alumínio. Depois deste processo, a água passa para o decantador. São dois tanques de 800 metros com cinco metros de profundidade, chegando então aos filtros. “Os filtros são o pulmão da estação, pois é aqui que todas as impurezas são eliminadas”, comenta Vanderlei Cadore (Candinho), que é funcionário da Corsan há 17 anos. Segundo informa Candinho, a limpeza dos filtros é feita diariamente.
A Companhia Riograndense de Saneamento (Consan) conta com laboratórios internos na estação, onde são feitas análises de hora em hora da água e ainda, periodicamente amostras são enviadas até o laboratório central em Porto Alegre.
Após sair dos filtros de tratamento, a água recebe a última dosagem de cloro e ainda uma de flúor. Somente depois disso ela vai para os reservatórios. A Corsan tem capacidade de armazenar 1 milhão e 800 mil litros de água, dividida em quatro cisternas, uma podendo conter 1 milhão de litros. Diariamente, a central de tratamento de Frederico Westphalen recebe sete mil metros cúbicos de água.
Nitrogênio
Os estudos realizados pela universidade ainda não estão prontos. Contudo, em fevereiro foram colhidas amostras de duas residências de Frederico Westphalen, nos bairros Fátima e São Francisco de Paula. A análise foi feita no Laboratório de Pesquisas e Análises Químicas -LAPAQ – Cesnors. “A partir das nossas análises preliminares, há suspeitas que a água consumida pela população frederiquense contenha nitrogênio total (nitrato, nitrito, amônia), sendo que é de quantidade um pouco superior ao permitido pelo Conama”, explica Ângela.
“Iniciamos as análises a cerca de um ano e meio, coletamos in loco a água do lajeado do Pardo desde a sua nascente até o seu encontro com o lajeado Tunas. A cada 500 metros é coletada a água e levada até o nosso laboratório na universidade”, finaliza Ângela.

Nota
Mas, e agora, para onde esta água vai? Na próxima edição do Jornal Frederiquense publicaremos a sequência desta especial. Vamos descobrir qual é o fim da água que nasce no lajeado Pardo.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Noite de terror em Frederico Westphalen


Aproximadamente cem casas ficaram danificadas no vendaval da madrugada de terça-feira, no município. Núcleo Habitacional 5 foi o mais atingido

Anderson Silva
Terror e desespero. Centenas de moradores tiveram uma madrugada que parecia não ter fim. A manhã de terça-feira ficou marcada pelo trabalho voluntário e união de todos na tentativa de sanar, ao menos em parte, os problemas causados pelo temporal.
Cerca de cem casas ficaram parcialmente destelhadas pelo temporal. O bairro São Francisco de Paula foi o mais atingido. Dezenas de casas ficaram destelhadas. Fios da rede de energia elétrica arrebentaram e foram parar na rua e em cima de casas, devido a postes que caíram por não aguentarem a força do vento. Inúmeras famílias ficaram sem energia elétrica. Equipes da Procel, enviadas pela RGE, removeram postes de madeira que foram parar no chão e os substituíram por postes de concreto.
A Escola Municipal Irmã Odila Lehnen ficou com a ala nova de estudantes, que seria inaugurada em breve, alagada. Mais de cem folhas de cimento amianto foram arremessadas da cobertura do prédio e se espalharam pelo pátio da escola. É provável que as crianças fiquem sem aula por três dias.